This is the Way não é um slogan. É uma âncora ontológica. Traduzido ao pé da letra, é “Este é o caminho”. Mas “Como deve ser” é mais devastador. Mais brasileiro. Mais verdadeiro.
Se Din Djarin, o protagonista da série The Mandalorian, da Disney, tivesse uma toga do Supremo, ele se chamaria André Mendonça. Na série, quando perguntam se ele concluiu a missão, ele não diz um “sim” elaborado. Diz apenas: como deve ser.
No STF, o lema seria o mesmo. Quando pressionado, quando encurralado pela máquina, quando a PGR pede, a Polícia Federal avança e os corredores do STF cochicham, a resposta dele não seria um parecer de 30 páginas. Seria uma postura.
Como deve ser.
Não por teimosia. É o Credo. É a verdade sobre o que, como e por que a coisa deveria ser feita.
O que deveria ser feito: guardar a Constituição, não a conveniência.
Enquanto a Corte foi se transformando em palco de inquéritos sem fim, de investigações de ofício e de censura travestida de defesa da democracia, a postura adequada de um ministro não é negociar o texto. É guardá-lo. Protegê-lo.
Mendonça faz o que deveria ser feito. Ele vota como deve ser. Ele pede vista como deve ser. Ele diverge como deve ser. Num tribunal onde a maioria já decidiu que o processo é o inimigo a ser destruído, ele é o único que ainda respeita o rito. Este é o ato mais revolucionário possível.
Como deveria ser feito: sem espetáculo, sem tuíte, sem vazamento.
Os inimigos dele no STF, na PGR e na Polícia Federal operam como deve ser no novo sistema: operação na madrugada, com nota na imprensa e manchete no Jornal Nacional.
Mendonça opera como deve ser no sistema antigo, no correto. Silencioso. Nos autos. Com voto técnico. Sem performance para a claque. Sem recado para a mídia.
É a ética mandaloriana aplicada à toga: o trabalho não precisa de plateia. Precisa de integridade. Quando todos querem holofote, ele é o único que ainda lembra o que é ser juiz. O único que fica na sombra do processo. Restrito.
Por que deveria ser feito: porque alguém precisa não só dizer, mas também mostrar que o correto existe e persevera.
Quando a PGR se torna partido de acusação política e a Polícia Federal se torna braço de inquéritos atípicos, o Supremo precisa de um homem que lembre que existe um caminho. Um caminho onde o direito de defesa ainda existe. Onde juiz não investiga. Onde o Ministério Público não milita. Onde a polícia não escolhe alvo por ideologia.
A postura firme de Mendonça é devastadoramente conclusiva exatamente por isso. Ele não discute. Ele não entra no jogo dos inimigos. Ele apenas afirma, com cada voto vencido, com cada divergência solitária:
Existe um jeito certo. E eu vou fazê-lo como deve ser.
E quando a história desse período for escrita, não vai importar quantas operações foram deflagradas ou quantos inimigos se levantaram contra ele no plenário. Vai importar quem manteve o Credo.
Como deve ser.
