Há um claro indicativo de que a velha política não apenas sobreviveu, mas se aperfeiçoou para continuar mantendo seu domínio. Entretanto, e por incrível que pareça, ainda há quem a alimente por acreditar que ter seus velhos caciques, estruturas tradicionais e conveniências institucionais como parceiros de caminhada pode ser um bom negócio.
Bom negócio para quem, senhoras e senhores eleitores?
Para os partidos barganharem espaços de poder e verbas bilionárias no orçamento público? Para as negociações de apoio em comissões parlamentares de fachada, votações virtuais a jato e negociações de bastidor? Será como pagamento por serviços prestados e/ou a prestar na distribuição sem transparência das emendas parlamentares?
E o que dizer de quando o próprio debate democrático é emparedado? É lamentável ver as recentes decisões do TSE e do STF interferirem diretamente nas regras e na realização dos encontros entre candidatos, alterando prazos, proibições e obrigações a ponto de inviabilizar o debate presidencial na reta final do pleito. Quando a Justiça Eleitoral passa a desenhar os limites do que o eleitor pode ou não assistir, o direito à informação da população é o primeiro a ser sacrificado.
É inadmissível continuar com tanta inconsequência no momento em que a cobrança por integridade, responsabilidade fiscal, transparência e respeito ao livre debate de ideias é tão urgente para o futuro do país.
É urgente por um fim no toma-lá-dá-cá na política, tão prejudicial para o futuro do país.
Será que os eleitores continuarão aceitando esse ciclo vicioso? Não, não é mais possível continuar a existir tamanha submissão ao cabresto moderno na hora do voto — seja ele imposto por conveniências partidárias ou por decisões tutelares que tolhem o direito do cidadão de confrontar propostas.
Precisamos vencer definitivamente o paradigma do “voto pragmático” — aquele voto de cabresto disfarçado de conveniência, em que o eleitor aciona o botão verde pensando em favores de curto prazo enquanto entrega os rumos da nação.
É preciso dar um choque de realidade na forma ultrapassada de fazer, aceitar e se submeter à política tradicional.
Essa é a principal causa de ainda termos representantes votando contra reformas estruturantes, especialmente aquelas que visam enxugar a máquina pública, cortar despesas desnecessárias e acabar com privilégios corporativos transformados em “direitos adquiridos”.
Muitos dos articulistas, políticos e atores de ocasião continuam resistindo a qualquer mudança real na relação entre os Poderes da República e na garantia de eleições limpas e transparentes. Por que será?
Sequer escondem o incômodo diante de qualquer tentativa de trazer fiscalização, luz sobre o gasto público e independência entre as instituições. Preferem manter a população alienada, sem confrontos diretos de ideias, enquanto garantem a perpetuação dos seus próprios arranjos de poder.
Não devemos nem podemos mais aceitar passivamente o cerceamento do debate nem votar em representantes que simbolizem o retrocesso ou o risco de manutenção desse sistema de privilégios escancarado.
É hora de encarar os fatos sem ilusões.
Abra os olhos.
(Para entender em detalhes como o cancelamento do debate presidencial ocorreu na noite de 1º de outubro de 2026 após as decisões do TSE e do STF alterarem as regras pré-acordadas entre os partidos, assistam aos vídeos com as análises isentas e completas do acontecimento no YouTube. Eles contextualizam como as sucessivas liminares da Justiça Eleitoral e do Supremo Tribunal Federal culminaram no cancelamento do último debate antes do primeiro turno, ilustrando o impacto direto no direito de informação do eleitorado.)
