
Não sumam, meus amigos. Restam poucos de nós. Apenas alguns persistem.
Essa frase pesa. Dá para sentir o susto de ver o círculo diminuir e a vontade de segurar firme quem ficou.
Quando restam poucos, cada um que persiste vira âncora. Não é só quantidade que se perde; é história compartilhada, é gente que se entende sem precisar explicar muito.
O que nos tem feito continuar por perto uns dos outros?
Essa é fácil responder: a persistência.
No começo éramos uma mesa cheia nas confraternizações. Barulho, copos batendo, todo mundo falando ao mesmo tempo e ninguém precisando explicar a piada até o fim. A gente achava que aquilo era garantido, eterno. Que amizade, quando é verdadeira, fica de pé sozinha.
Mas não fica.
Um foi morar longe. Outro casou, teve filho e o tempo encolheu. Um se magoou e não soube dizer por quê. Outro simplesmente sumiu, sem briga, só silêncio. O grupo foi ficando com aquele espaço entre os encontros cada vez maior, e assim foi… até virar saudade.
Hoje a mesa é menor. Cabem todos em poucas cadeiras.
E o mais estranho é que, agora que somos poucos, a conversa ficou melhor. Ninguém mais compete por atenção. A gente fala das conquistas e das perdas sem disfarces. Fala do cansaço. Pior, fala do medo de também sumir um dia.
Persistir, descobri, não é ficar por inércia. É simplesmente decidir ficar. É responder mesmo cansado. É aparecer no aniversário em que quase não iria. É dizer: ainda estou aqui, vê se não some você também.
Nós, os poucos que restaram, não temos noção do tamanho do que sustentamos. Quando tudo parece disperso, rápido e raso, somos a prova de que aquela velha ligação ainda pode durar. De que ainda dá para sermos os mesmos, uns para os outros.
Então, não sumam. Se forem sumir, avisem. Se precisarem se afastar um tempo, voltem. Porque restam poucos de nós. E os poucos que restam valem muito, valem por uma multidão.

É a natureza da vida. Uns chegam primeiro. E não é permitido ir para o final da fila…
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Tem sido uma grata surpresa ganhar tantos bons amigos nos últimos anos (embora tenha perdido vários e veja o núcleo mais antigo da família encolher). Aprendi a valorizar mais o que ganhei do que o que perdi, e estou me esforçando para aprender a cultivar o que tenho hoje.
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Perfeito, meu amigo! Como sempre!
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